A percepção visual é um processo estruturado do corpo para a manipulação à distância. Neste sentido, a sintaxe gráfica do desenho é o prolongamento da expressão de uma linguagem corporal, englobando não só a visão, mas também a interacção dos restantes elementos.O corpo desempenha uma acção periférica, mediando entre a realidade do ser e do objecto (realidade interior e realidade exterior).
O avanço da ciência e da tecnologia têm colocado à disposição do ser humano muitos dispositivos que expandem o seu desempenho, quer em termos visuais quer quirográficos. Da câmara obscura ao plano de referência, da pantografia à panóplia dos recursos computadorizados, existem hoje, num leque extremamente diversificado, inúmeros recursos que expandem o funcionamento do nosso corpo.
No território do desenho tudo pode ser combinado e revisitado.
Entre as morfologias do corpo e do desenho, adiantamos três conclusões de referência:
• A linha corre, cegando a textura macia do papel, como que impelida por um modelo que se auto constrói-se; habitando algures entre o alvo e a mente, sem retorno possível.
O gesto é a expansão da consciência.
• A linha procura revolvendo a luz que inunda o suporte, por vezes impõe-se, por vezes apenas deixa antever.
O implícito é o princípio da abstracção.
• A linha habita toda a área. A via que a receberá, já está organizada e dividida: esquerda, direita, superior e inferior. Como na terra, lavra-se.
O espaço dá lugar à classificação.
Algumas características são ilusórias, outras reais. Um traço é real, mas a imagem de peso que se extrai de um conjunto organizado de traços sucessivos é tão somente outra natureza. A possibilidade de invocar através de um alfabeto tão simples, como o ponto e a linha, é um caminho da imaginação por via da conquista interiorizada da realidade.
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