Elementos de morfologia

Modelo imagem ou desenho que representa o objecto que se pretende reproduzir esculpindo, pintando ou desenhando; tudo o que serve para ser imitado; norma; regra; exemplo; forma; pessoa que serve de estudo aos pintores e escultores. (It. Modello)

Uma representação concreta ou abstracta de um objecto ou sistema segundo uma determinada perspectiva.

A origem de um modelo repousa essencialmente na resposta a uma necessidade de ordem, face ao nosso entendimento forçosamente incompleto da realidade. Assim, o modelo inaugura uma ordem, encontra uma sequência e introduz uma resposta; embora precária, mas suficientemente estável para prosseguirmos outras mais aventuras, que, na esfera do conhecimento, o futuro seguramente propiciará.

O sentido do duplo permanece como referência fulcral para atingirmos uma melhor e mais estabilizada noção do mundo e do ser, que em tudo perfaz os indícios de uma consciência plena entre interior e exterior, entre imaterial e proposição material.

Podem estabelecer-se as seguintes classes essenciais para a criação de modelos:

Analogia – método de representação de um fenómeno, ou caracterização formal, a partir de um caso alvo, mantendo os parâmetros originais, mas sinteticamente seleccionados e tratados, para uma melhor e mais fácil compreensão do sistema em análise.
A analogia é uma propriedade que refere o processo de representação da informação sobre um dado objecto (a fonte ou sistema original) a partir de um outro objecto (sistema alvo), proprietário de características comuns ao primeiro. Os modelos analógicos representam uma versão mais sintética e “económica” face aos elementos originais, partilhando afinidades morfológicas e dinâmicas.
Contudo, a validação dos princípios por analogia tem as reservas próprias a uma certa dose de empirismo, pois assentam essencialmente nas regras aplicadas enquanto factores exteriores, e, como tal, não totalmente coincidentes com as realidades inerentes à origem e ao alvo.
Um modelo criado por analogia introduz uma ordem mais ou menos completa e aproximada da realidade, segundo uma aproximação formal simulada por via morfológica física e funcional, ou por outra qualquer parâmetro considerado principal – mecânico, cinético, formal, físico, material, hidráulico, etc..
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Cavalo mecânico realizado em madeira. Simulador utilizado na I Guerra Mundial no treino da cavalaria.

Causa e efeito – Modelo abstracto que repousa na relação lógica entre causa e efeito para descrever o comportamento de um sistema.

Da síntese à procura da coerência formal
A propósito deste título refere-se trata-se a síntese como uma corresponde fundamental à investigação e à interpretação formal a partir de objectos escolhidos. A relevância dessa análise funda-se a partir do estudo da coerência intra-figural – análise detalhada das relações internas; assim, como a inter-figural – análise entre as relações externas num dado grupo de objectos.
Esses comportamentos internos ou externos suscitam o estudo dos fenómenos morfológicos no âmbito da teoria da simetria, segundo as seguintes condições operativas:

– Todos os elementos são redutíveis por acentuação/nivelamento, seguindo uma ordem geo-estruturante a determinar.

– Todos os elementos seguem regras próprias de repetição.

– Entre estes deve manter-se uma relação de igualdade ou semelhança.

– Devem ser explorados os princípios generativos que determinam as premissas espaciais desses elementos – situação/posição/orientação.
Quanto aos factores de identidade morfológica enunciam-se as seguintes classes fundamentais:

Isomorfia

Todos os elementos com a mesma forma e igual dimensão são classificados de isomorfos. Esta propriedade é uma constante verificável tanto em objectos criados e produzidos pelo homem como em organismos vivos.
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Macro fotografia e vista ao microscópio electrónico das patas de Illacme plenipes. (East Carolina University)
http://www.hcn.zaq.ne.jp/___/puzzle/index_tmm-en.html#tmm_18-1

http://home.comcast.net/~stegmann/pattern.htm

http://www.mi.sanu.ac.yu/vismath/mir/mir.htm

http://eskesthai.blogspot.com/search/label/Orbitals

Homeomorfia
Designam-se assim todos os elementos que possuem a mesma forma, mas dimensões diferentes. Os segmentos do Armadillium vulgare, popularmente conhecido por bicho de conta, podem possuir a mesma forma mas não idêntica dimensão.
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Armadillium vulgare
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JARED TARBEL, Garden, 2004
Linhas de código da autoria de Jared Tarbel materializam a criação de um admirável mundo gráfico e visual por Jared Tarbel em http://www.complexification.net/gallery/
Mais informação interessante sobre homeomorfismo em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Featured_picture_candidates/March-2007#Homeomorphism

Singenomorfia
Refere-se aos elementos que modificados formalmente de modo afim e projectivo podem ser alterados para a mesma origem formal. Quaisquer elipses são deformações singenométricas da circunferência.
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Catamorfia
Refere toda a classe de elementos que não sendo congruentes nem afins estão ligados por relação inter-figural comum. As letras tipo de alfabeto pertencem a esta categoria. Apesar de formalmente diferentes pertencem à mesma família tipográfica, graças à semelhança de certos detalhes de aproximação ou identidade.
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Colecção grátis com grande diversidade de fontes tipográficas em http://www.sofontes.com.br
HeteromorfiaTodos os elementos que não sendo caracterizados pela existência de relações inter-figurais demonstram comportamentos de coerência intra-figurais. Refere-se à classe de proximidade estético formal que frequentemente não só é uma marca de originalidade como também de diversidade natural.
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Henry Moore, Figura reclinada (1951) Henry Moore, Três peças Vertebrae (1968)
Amorfia

Classifica a ausência de propriedades intra-figurais e inter-figurais entre os elementos. Indica os limites das relações formais entre elementos, não significando, como alguns autores assim o defendem, uma propriedade ou limite material mas sim uma referência específica do mundo conceptual – De facto, será sempre possível encontrar uma relação mínima o que impedirá na prática encontrar casos de ametria.

Elementos para a criação controlada da forma
Na diversidade formal caracterizadora da abundante colecção de elementos e objectos, que constituie o nosso habitat , coexistem três propriedades protomorfológicas fundamentais invariavelmente em presença das relações de simetria:
– Similaridade
– Repetição
– Geração
A simetria é uma qualidade de organização encontrada quer na matéria, quer em organismos vivos. A distribuição dos elementos ou partes de um corpo organiza-se de acordo com uma ordem de natureza simétrica, seguindo estruturas bilaterais e, por vezes, também radiais.
A geração radial é uma propriedade quase extensiva a todas as plantas, mas só a algumas espécies animais, nas quais a bi-lateralidade é a estrutura mais comum de associação das partes com o todo.
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Simetria radial, esqueleto de Echinus esculentus
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Simetria bilateral Sthenopis quadriguttatus
A natureza protomorfológica da complexidade associada às relações de simetria caracteriza-se ao seu nível elementar, primeiro a partir de uma origem pontual, depois seguindo a fase de agrupamento numa segunda geração e por fim o desenvolvimento das operações de maior complexidade sobrepostas em sucessivas etapas transformadoras.
Essas transformações desenvolvem-se segundo quatro operações elementares:
– Translação mudança de lugar aplicando um vector de translação

– Rotação movimento circular em torno de um eixo, segmento ou ponto

– Reflexão aplicação de natureza simétrica segundo um eixo, ou plano, em que o resultado é o simétrico directo ou inverso da fonte.
Num sentido mais amplo, podemos enquadrar semelhanças entre outras operações, como positivo e negativo como um resultado de simetria não posicional, mas tonal, por inversão ou simetria de gama.
– Dilatação Mutação dimensional de um elemento a partir de um ponto, definido enquanto eixo de crescimento. A acção contrária define operações de contracção. Do ponto de vista do observador poderá tratar-se de uma operação de aproximação ou afastamento conforme o caso, em sentido lato, numa relação próxima à generalidade um qualquer sistema
perspéctico cónico/catadióptrico.
As operações fundamentais de simetria estão associadas à seguinte matriz de transformações preliminares sem repetição das acções iniciais:

Redes
A par das operações de primeiro nível importa considerar os princípios reguladores, auxiliares da distribuição espacial dos elementos. Na prática esses sistemas são expressos através de redes de regulação espacial, auxiliares de distribuição e posicionamento, também designadas vulgarmente por grelhas.
As redes podem estruturar-se segundo a base dois (rectângulo, paralelogramo, quadrado) ou de base três (triangular, hexagonal ).
A rede pode introduzir recursos de controlo de formação, ao alterar configurações formais iniciais, regulando e introduzindo um sentido de coerência na modelação de transformações materiais, gráficas e de volume.

A criatividade é um lego permanente

Em morfologia, a ideia de estudar as semelhanças em confronto com as diferenças, enquanto estratégia propícia ao desencadear de alternativas, teve a sua origem na anatomia comparada.
O estudo das 1 – estruturas homólogas é o primeiro conceito desenvolvido no seio da anatomia comparada. Aproximam-se à mesma classe de homologia os elementos com idêntica origem ou descendência, analisando-se as adaptações específicas desenvolvidas morfologicamente em cada um dos casos.
Na 2 – analogia encontra-se o segundo caminho e propõe-se o estudo de respostas semelhantes em organismos ou sistemas distintos, mas tendo em comum o mesmo ambiente ou meio (Tubarão versus Torpedo)

1 – Anatomia comparada – macaco e urso

Estudo de estruturas homólogas

2 – Anatomia comparada – tubarão e torpedo

Estudo de estruturas Análogas
O primeiro caso influencia parte das soluções encontradas para o segundo, numa relação determinada pelo conhecimento na área da biónica.

Taxonomia e Ontologia – Especulação de alternativas formais

A palavra taxonomia é aplicável às classificações em partes de um corpo/conjunto. Refere-se em sentido lato às estruturas plausíveis de se deduzirem no seio, ou não, de uma hierarquia formal, como por exemplo as aplicáveis nas redes neuronais. Frequentemente, construídas inspiradas a partir do modelo “árvore”, agrupam níveis e parentescos de ligação (“child”, “parent” são termos aplicáveis à construção de uma ordem morfológica em CAD ou em outras aplicações de criação de estruturas formais por associação hierárquica de entidades).
A taxonomia introduz um sentido de classificação a partir da relação estruturada de afinidades encontradas ou estudadas, ao invés do conceito de ontologia que define os próprios domínios onde se inserem os elementos susceptíveis de análise taxonómica.
Desse modo, a ontologia descreve os parâmetros a que pertencem as instâncias alvo de uma dada entidade formal:
– Elementos Primeiro nível
– Classes Tipos de elementos
– Atributos Propriedades ou atributos que caracterizam os elementos ou os objectos aplicadas as relações de união ou exclusão, proximidade ou diferença.
– Relações Fundamentos de analogia morfológica entre os elementos.

Os conceitos referidos anteriormente são de basilar importância para a compreensão, o aprofundamento e o estudo da realidade morfológica dos objectos.
Procedimentos ontológicos e taxonómicos podem ser aplicados nos processos criativos de análise e interpretação morfológica a desenvolver nos domínios da arte e do design, particularmente na construção de grafus de estruturação e relação entre elementos.

Gráfico simples aplicado em botânica seguindo uma estrutura de organização típica do modelo tipo “árvore”.

Objecto
Variantes expressivas caracterológicas 1 2 3
Rosto Olhos Boca
Os elementos ontológicos base encontrados no objecto, definem zonas de significação formal e um morfograma base, inaugurando um hipotético quadro expressivo e de coerências formais, como se ilustra à direita no registo original e abaixo em quadro taxonómico:

A ontologia pode fornecer especificações explícitas ao serviço da conceptualização. Esta palavra própria dos domínios da filosofia significa uma contagem sistemática da existência. Neste caso o que existe é susceptível de ser contado, relatado, diferenciado, formalizado em classes, combinado e interpretado, como se apresenta no quadro anterior.
Formalmente, a odontologia é uma declaração propícia ao desenvolvimento de argumentos individuais de coerência plástica, fornecendo um importante quadro de sistematização para a criação controlada da forma, enquanto sistema aliado à combinação de morfogramas que gerem possibilidades formais ampliadas a partir de uma estratégia simples e discreta na construção de alternativas formais.

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